Corte Justo

Ninguém estava pronto para ver a loja de Marcus Considius novamente aberta. Os rumores declaravam a sua morte e a brutal paz que Germanicus instalou sobre o Aventino permitia alguma ilusão de normalidade. A maioria das pessoas preferia pensar que a resistência tinha terminado e que podiam seguir com as suas miseráveis vidas, tentar construir algo por cima das ruínas do sofrimento.

Uma vida que incluía evitar os Considii.

O estatuto de pária não durou muito. A candeia de azeite que Marcus mantinha durante todas as noites atraiu aqueles a quem as remodelações do Aventino tinham custado o pouco que tinham. Depressa a palavra se espalhou, a barbearia tornando-se um local de asilo e ponto focal para um novo tipo de resistência. Clientes voltavam pouco a pouco, sabendo que qualquer plano dramático iria começar entre aquelas quatro paredes. Nada podia ser pior do que ser apanhado desprevenido por uma nova torrente de problemas.

- Eu não sei se aceite trabalhar como bagageiro no porto – declarou o primeiro cliente do dia, um refugiado Etrusco recém-chegado a Roma. À entrada da barbearia sentava-se um crescente número de plebeus de várias idades.

- Caecinus, você trabalha como carregador para quantos? Cinco ou seis patrícios diferentes. – Considius apontou enquanto afiava as lâminas. - Neste ponto, qual é a diferença?

- Toda! Há faces, há nomes, há identidades por detrás de cada ação. Não é um mero trabalho, é um propósito da minha vida.

- E ser um bagageiro não o é? É um trabalho duro, mas honesto, uma maneira de contribuir para o estado com suor ao invés de sangue - as lâminas frias roçaram contra a pele quente de Caecinus, os destros dedos de Considius acompanhando a curva da sua face e expressões.

- Não há dignidade em trabalhar a soldo. É isso que quer que seja visto como! Caecinus, o bagageiro; a isto é reduzida toda a riqueza da natureza de um cidadão romano.

- Pondo as coisas desta maneira, consigo ver o seu dilema – riu-se um homem que era acima de tudo chamado de tonsore, seguido de tonsore do Aventino e finalmente é que lhe era permitido ser Considius. - Não consigo perceber como é que um consegue preservar o seu sentido de ser quando é apenas uma face e uma profissão.

- Exato, tonsore - o outro plebeu continuou com as sua lamurias. - Eu não quero ser conhecido pelo meu trabalho, se quero ser recordado é pelas coisas que consigo nos meus momentos de ócio.

- Chega de choradeira, Caecinus - gritou um dos homens que esperava pacientemente o seu turno, agitando as mãos. - Nós somos aquilo que fazemos, não aquilo que queremos ser! Se passas a maior parte do teu dia acartando trigo e tijolos para este e aquele outro, és um carregador e um carregador é o que vais ser! Se queres ser outra coisa passa mais horas a trabalhar nisso.

Caecinus voltou-se rapidamente no banco, ganhando como prémio um arranhão e uma linha vermelha ao longo da bochecha. Ambos os plebeus se fitaram, um momento de tensão imediatamente quebrado por ruidosas gargalhadas da parte do queixoso e obstinado cliente de Considius.

- Chama-me então Caecianus Somnus, pois o que eu mais faço é dormir! - à sua declaração juntaram-se vários gritos de apoio. Rodeado por gargalhadas e uma entusiasmante onda de calor humano, Considius voltou a atacar a barba.

O clima de casual amizade foi interrompido pela chegada de um homem alto e musculado, acariciando os seus belos caracóis enquanto os seus penetrantes olhos verdes inspecionavam o interior da loja. Entrou, três operários com cara de poucos amigos escoltando os clientes de Considius para as ruas de Roma.

Germanicus sentou-se no banco do barbeiro, acenando para que o tonsore se aproximasse com uma mão enquanto outra acariciava a sua barba de três dias.

- Parece que a sua pedra foi bastante mais leve do que eu pensava, Considius. Chegou ao topo e de volta - Os lémures sussurravam, as suas palavras provocando Marcus, tentando inspirar violência. Perdido entre pensamentos divergentes, os dedos do homem saltavam entre as várias ferramentas do sue ofício. O senhor do crime continuou com os seus devaneios. - Estranho vê-lo de volta, principalmente quando a sua miraculosa recuperação coincide com a morte do meu grande amigo, Titus Annius. Uma vida paga com outra, talvez? Os caminhos dos deuses são caprichosos e gente de bem não deve passar muito tempo examinando raciocínios infernais.

Silêncio caiu na loja, Considius falhando em partilhar uma reação. A falta de palavras pareceu dar a Germanicus o que ele queria, este sorrindo enquanto fitava o plebeu e indicava a sua barba.

- A minha posição exige um certo nível de razoável crueldade, como testemunhou em primeira mão. Necessidades aparte, não quer dizer que eu não seja capaz de sentir simpatia consigo ou com aqueles que tentou representar – o líder do colegium continuou. - Não há necessidade de prolongar mau sangue e conflitos para além do necessário, um exemplo foi feito e ambas as partes perderam o suficiente. Penso que todos aprendemos uma lição sobre como viver em concórdia e harmonia; o que aconteceu, aconteceu e temos que seguir em frente.

Marcus Considius não respondeu, a sua mão coberta de calos agarrando o ombro esquerdo do outro homem, os gestos rotineiros instintivos e automáticos. Levou os dedos à barba, medindo-a rudemente enquanto tentava escolher a ferramenta certa. Almejou primeiro uma lâmina brilhante, acabadinha de afiar, mas um membro de lémures ofereceu-lhe ao invés desta uma tesoura ferrugenta e romba. Os espíritos do Submundo recusavam-se a ser silenciados, as suas, as únicas vozes que Considius escutava.

Se Germanicus continuava à espera de resposta, não o mostrava, continuando a olhar para Considius e a sua tesoura a jeito de desafio. Aos seus olhos, uma relação de dominância e submissão estava estabelecida, o tonsore um homem quebrado que tinha sido posto no seu lugar. O senhor do crime sentiu tensão quando Considius ergueu a mão à sua nuca, indicando que este se voltasse para a frente. Com a tesoura apertando contra a bochecha e Considius começando a trabalhar, um satisfeito Germanicus permitiu-se relaxar, fechando os olhos face à assumida impotência do barbeiro.

Em choque abriu a boca, desesperadamente inspirando por ar.

O Tribuno das Sombras apertava-o com uma força inumana, mantendo o Germanicus firme no banco, tudo enquanto escavava no seu pescoço com a tesoura fechada. À medida que ondas de dor tomavam conta da sua realidade, Germanicus compreendeu a malevolência da escolha. Considius não o ia matar imediatamente, lenta e cruelmente ia rasgando e arrancando o caminho até à jugular, maximizando o seu sofrimento. Sem grandes opções e lágrimas nos olhos, o senhor do crime tentou chamar pelos seus homens, no seu delírio julgando ver sombras vivas estrangulando-os.

Com um horrível som molhado o tonsore retirou a sua tesoura, um esguicho de sangue cobrindo a sua face e roupas. Germanicus estava lívido, como se estivesse prestes a desaparecer.

- Estes são os únicos termos que aceito – Considius sibilou. - A tua morte e os teus segredos.

Baixou a tesoura violentamente. Estilhaços de ferro anunciaram que esta se quebrou, obrigando-o a fechar os olhos para se proteger. Para sua surpresa, abriu-os para não ver nem um vislumbra de Germanicus. No seu lugar estava uma alta mulher loira, o seu manto rasgado pela lâmina, mas a sua pele intocada. Enquanto esta girava no banco para oferecer um sorriso convencido, Considius reparou que alguém tinha libertado os homens de Germanicus, levando-os para longe dali.

- Marcus Considius, presumo – a mulher ergueu a mão num jeito de amizade. - Eu ouvi sobre as suas novas responsabilidades e venho apresentar-me ao meu mais recente…

Ela não acabou a frase, interrompida por um feroz murro que a atirou para fora do banco. Ainda segurando a arruinada tesoura, o Tribuno das Sombras arfava violentamente, todo o seu corpo tremendo de ansiedade. Os seus olhos pareceram estalar com poder, perdendo cor e alternado entre pesado cinza e bronze; os lémures responderam ao emocional chamamento, cobrindo-o na sua espectral armadura de maldições.

- O meu nome é Aeneid. - Lídia anunciou assumindo uma posição de pugilismo e erguendo os punhos.

- Eu não quero saber – Considius rosnou entredentes. - Germanicus era minha presa, meu por direito. O que fizeste com ele?

- Germanicus? Ah sim, Pleuratus. Ridículo nome e péssimo gosto, contudo, Roma não ganha em nada com a morte dele. Tu não ganhas nada.

- Onde está? – o Umbrae Tribunus carregou sobre Aeneid, uivando as suas exigências. - Ele merece todos os castigos e mais alguns pelo que fez ao Aventino e à minha família!

Uma torrente de tentáculos tentava agarrar Lídia, a mulher limitando-se a desviar-se, recusando a tocar-lhes sequer ou a aproximar-se de Considius. Para a sua impressionante rapidez seria fácil escapar e abandonar a cena, contudo, ela mantinha-se apenas a um par de passos mais do que o necessário, fazendo com os lémures esfomeados pelo toque do celestial se esticassem cada vez mais, mas não o suficiente para obrigar Considius a persegui-la.

- Coisas horríveis e imperdoáveis têm acontecido no seu canto da Urbe. Pleuratus pode ter feito o que fez ao mando de alguém, mas ele é apenas um lacaio de poderes maiores. Ele é mais perigoso para eles vivo do que morto.

- O que tu entendes sobre o que é que ele nos fez, guiada por essa lógica patrícia? - Considius finalmente deu um passo à frente, os espectros consumindo quase toda a luz no interior da loja. As paredes pareciam contrair e expandir-se, o eventual efeito tornando a barbearia impossivelmente larga. Reconhecendo a interferência entre os seus dois Triunfos, Aeneid preparou-se para estar alerta para perigosas consequências; Umbrae Tribunus aproveitou-se deste momento de hesitação para encurralar Lídia num canto, juntando centenas de lémures num único punho de trevas.

- Tsh, tsh – Aeneid soltou, erguendo as sobrancelhas e mordendo a língua enquanto retornava ao seu clássico sorriso. Quando o murro espectral desceu, ela saltou, impelida pela sua celeridade Triunfante, joelhada no estômago de Considius e pontapeando-a para fora da sua loja. Sem obstáculos foi fácil tornar o confronto num teste de velocidade, empurrando o outro Triunfante através de ruas colina a baixo, rápidos murros seguidos de uma corrida veloz. Encostando Marcus contra uma parede num beco sem saída, ergueu o homem e encostou a sua testa e contra a dele.

- Esta é a face de privilégio? - sacudiu-o um pouco. - Eu sei o que é perder tudo. Eu sei o quão tentador é tratar da miséria com os punhos. Vai ouvir-me agora?

A jeito de resposta, Considius recuou a cabeça para trás para preparar uma cabeçada. Foi com um suspiro audível que Lídia o antecipou, antecipando e desferindo igual resposta em contra-ataque.

- Eu admito, és forte. Mas força não é autoridade e eu tenho os medos e esperanças do povo em redor de mim! – na parede a sombra de Considius ganhava novos contornos, lémures alimentando-a ao nível de algo titânico, cantando a mortalidade de Lídia e tentando suprimir o seu Triunfo. Era perigoso, a legitimidade conferida ao Umbrae Tribunus contestando Aeneid e envolvendo-a na sua visão do mundo.

Isso apenas serviu para deixar o objetivo de Lídia bem claro.

Faíscas rodearam os seus olhos e pés, espectros voltaram a encobrir a face de Considius. O Tribuno das Sombras tentou flanquear Lídia com um ataque em duas frentes, punhos cobertos de lémures numa imitação do cestus de Aeneid, outros espectros animando uma cópia feita de sombra viva. A ruela distorcendo-se nos túneis do Submundo, a mulher sabia que tinha apenas uma oportunidade e não se deu ao luxo de hesitar. Agarrou o homem e atirou-o para o chão, ignorando a sombra e deslizando de volta às ruas principais.

A perseguição continuou, os lémures não querendo desistir da caça e inspirando Considus a acelerar o passo, impulsionando-o cada vez mais. Aeneid acelerava apenas o estritamente necessário para se manter no horizonte, o prémio impossível de alcançar. Chegando às muralhas de Roma, foi obrigada a abrandar, inspecionando possíveis saídas ou como contornar o insano tráfego, ubíquo aos portões da Urbe.

Marcus Considius estava em cima dela, tentáculos elevando-o como cabos, cravando-se nas muralhas

e empurrando-o de encontro a elas. Mais sombras toldavam o dia, alertando a mulher para a urgência da retirada. Uma solução deselegante apresentou-se, convidando Lídia a correr ao longo da muralha. Assim ela o fez, apenas para encontrar o seu caminho cortado por lémures. Língua fora, impulsionou os pés contra a pedra fria e saltou, tentando surpreender Marcus pelo ar.

Um chicote de sombras acertou-lhe na face, rasgando o manto. Os lémures beberam o seu sangue, deixando-lhe um avaro corte no nariz.

- Por um momento pensei que fosse intocável – Considius parou um momento para se felicitar. Um dos lémures ainda segurava o que restava da tesoura quebrada, apontando contra Lídia.

- Eu cuido bem da minha pele. Baixa essas sombras e eu posso mostrar-te como o fazer! – ela gritou, aterrando num telhado baixo e limpando o sangue.

- Como provação de batalha isso deixa muito a desejar – novos ataques, forçando Aeneid a saltar entre edifícios para desviar-se.

- Que provocação? É uma oferta sincera – uma telha solta fez Lídia escorregar, fazendo com que ela fosse aos trambolhões devolvida ao nível térreo. Considius aproximou-se perto demais, punhos esticados. Deixando cair o braço dominante num gancho e erguendo-o direitinho ao queixo do Umbrae Tribunus. Tamanha violência tão concentrada iria arruinar o dia de qualquer um, até o de um Triunfante.

- Espera aí, eu já vi esse golpe! – o atordoado Considius reconheceu-a apesar da sua pálida compleição. - Tu és Lídia Bella!

- Esse trocadilho é algo que eu me arrependo todos os dias – Aeneid presenteou-o com um sorriso. – É sempre um prazer conhecer um fã.

- Fã? Perdi à tua pala os ganhos de dois meses!

- Lição um, Considius – Lídia levantou um dedo e abanou-o. - Nunca apostes contra mim!

Por um momento parecia que o conflito iria amainar entre os dois Triunfantes, o cinza abandonando os olhos de Considius. Os lémures não partilhavam o mesmo sentimento, ainda sentindo as promessas celestiais que brotavam do Triunfo incarnado em Lídia. Atiçados, lançaram novo ataque, tão inesperado que fez Aeneid vacilar.

- Os espectros estão ainda furiosos, não sei o que se passa!

- Eles lembram-se de mim, está tudo bem – Aeneid forçou o seu mais confiante sorriso, escondendo a dor que sentia. – Segue-me, Considius, não me poupes por um segundo ou eles podem voltar-se contra ti. Tal é o fado dos Infernii.

Os dois treparam as muralhas, trocando golpes leves todo o caminho. Os lémures pareciam cada vez mais empolgados, falhando em ser impedidos por limitações humanas; Lídia parecia cada vez mais cansada, não se atrevendo a perder mais de si para o Triunfo. Marcus estava cada mais preocupado, esperando que qualquer que fosse o plano de Lídia, ele esperava que fosse bom o suficiente.

Para sua grande surpresa ela saltou das muralhas por cima de uma pilha de lixo e dejetos, atravessou nos bicos de pés em redor dos esgotos e parou no limiar entre cidade, estrada e campos. Um abismado Marcus observou enquanto ela marcava uma linha na erva com o pé direito.

Os espectros deslizaram atrás da mulher, ignorando os excrementos da civilização, armando novamente Considius com lémures e animando um duplicado sombrio.

Aeneid ergueu a palma e desafiou-o a avançar, sorriso convencido.

Umbrae Tribunus passou por cima da linha, Marcus Considius chegou do outro lado. Os lémures não conseguiam atravessar a linha, permanecendo ligados a ele por um espectral cordão umbilical que lentamente perecia perante a luz do Sol. Debaixo da implacável vontade de Apolo os lémures lamentaram enquanto eram separados de Marcus e arrastados para o Submundo.

- És um Tribuno, Considius – Lídia explicou ao confuso barbeiro. - Os poderes confiados a ti são os mesmos do que os teus ortólogos, não se estendendo para além dos limites sagrados de Roma. Sem essa autoridade com que os lémures te elegeram, nada os âncora no mundo dos vivos e não lhes resta nada senão renderem-se ao fato.

Marcus acenou, achando que fazia algum sentido, apesar dos eventos com Atticus sugerirem que havia exceções à regra. Ao erguer a cabeça, reparou nas sombras que deslizavam pelo chão, retornando à forma do duplicado de Umbrae Tribunus. A expressão de Aeneid era a de alguém genuinamente impressionado.

- Incrível, tão pouco do meu sangue foi suficiente para os manter coesivos?

A mulher desapareceu.

O tribuno-sombra voltou-se para o barbeiro, a expressão da sua vazia face composta de espectros silenciosos impossível de ler. Temendo o pior, Considius não escondeu o seu alívio ao ver um cestus atravessar o duplicado, seguido de Aeneid. Os olhos da mulher tinham desaparecido por detrás de borrões escarlates e brancos, conferindo uma aura inumana a todos os seus gestos. Com os lémures finalmente dispersos de vez, esta retomou a sua expressão normal enquanto Marcus instintivamente agarrou algo que colidiu contra o seu peito. Encontrou uma ânfora de vinho de Bruttium ao olhar para baixo.

- Eu sei que os meus motivos não parecem fazer sentido para ti – Aeneid estendeu a mão, oferecendo uma taça. – Medo e esperança, dizes tu, mas acima de tudo medo. Bons propósitos, mas reativos; eu preocupo-me apenas numa coisa. Poupar sofrimento.

- Desculpa lá, amiga – Considius serviu-se do vinho. - Viste bem a Urbe?

Lídia ergueu o capuz para esconder o desaparecimento do seu sorriso.

- Por vezes não há caminho para alegria, apenas escolhas entre maior e menor sofrimento. Pleuratus tem que viver por agora – ela olhou tristemente para Umbrae Tribunus, enquanto discretamente Marcus colocava uma perna por detrás da linha anteriormente demarcada, lémures lentamente respondendo ao chamamento e preparando-se para eventual ofensiva. – Eu sei o que ele fez, eu sei do envolvimento dele no desaparecimento da tua família. Tal como tu, Considius, sou alguém que tem problemas em ver o mundo para além dos seus punhos; alguém mais inteligente do que nós é necessário para resolver esta delicada armadilha.

- Tenho que tentar – uma troca de acenos mostrou que ambos concordavam disso. - Acima de tudo não posso distrair-me com banalidades.

- Eu sei – Lídia respirou fundo. – O Senado das Sombras quer substituir-te, há um miúdo em treino para ser adotado e tomar o teu lugar. Vi o suficiente de ti para concluir que estás em melhor sintonia com os plebeus e és um pilar desta comunidade. Quero ajudar-te a manter a posição, mas para isso tens que começar a agir com o acúmen que o cargo exige. Se até eu aprendo uma coisa ou outra, quão fácil será para Marcus Considius.

- És uma boa mulher, Lídia.

- Serei? Eu estou prestes a começar uma guerra. Fala-me sobre evitar sofrimento. Diz-me, Umbrae Tribunus: quanto ferve o teu sangue pela oportunidade de destronar um opressor?