Soldado, Agricultor e Cidadão

Roma construiu o seu império nas costas de soldados agricultores. 

Tendemos a pensar nos exércitos profissionais da Alta República e do Império como representantes do melhor das legiões Romanas, o segredo por detrás do sucesso Romano - ignorando que o dinamismo, teimosia, cariz multi-cultural e multi-étnico desses exércitos e das sociedades são o que separam Roma de outros "grandes conquistadores". Contudo, uma classe de soldados profissionais apenas emergiu quando Roma se tornou uma super-potência, resposta às necessidades do crescente império, da expansão do abismo entre desigualdade social e das alterações às relações com aliados. O exército que realmente estabeleceu o império era bastante diferente. 

Durante a maioria da história da República, serviço militar estava associado às posses de cada um. Como tal, guerra era o domínio daqueles que possuíam terras; a classe pobre urbana ainda não era tão importante como em séculos tardios, era delegada a papéis militares auxiliares ou servindo em posição que não necessitavam de muito dinheiro, como tripular a nascente marinha Romana ou mantendo as linhas de abastecimento e mercados abertos. Curiosamente, esta separação de deveres mantinha os pobres longe de prestigio político ou de uma parte do saque. 

De certo modo, esta é quase uma inversão do cliché do legionário da Alta República/Império: classe pobre urbana ou estrangeiro, servindo na legião por algumas décadas, finalmente recompensando com terras/cidadania e enviado para uma nascente colónia. O nosso típico legionário Republicano e a sua família subsistem da agricultura, é um cidadão Romano ou aliado e combate para proteger os interesses do Senado e defender a República, sendo recompensando com parte do espólio e a oportunidade de mobilidade social e política.

Isto ditava que o passo da guerra fosse marcado pelo ritmo das estações. Uma vez que a espinha dorsal do exército eram também os agricultores que alimentavam Roma, campanhas que ocupassem todo o ano eram praticamente impossíveis, qualquer expedição ultramarina acarretando fome, perda de terras para os mais ricos que podiam lidar melhor com stress económico e inflação descontrolada. 

Durante a altura dos Heróis da República, o soldado agricultar continua a comandar o campo de batalha; contudo, as sementes da mudança já foram plantadas. A aquisição das férteis províncias Cartaginesas de Sicilia e Sardinia radicalmente mudaram o modo como Roma se alimentava a si e aos seus aliados, permitindo ao Senado guerrear do outro lado do Adriático e subjugar as nações piratas de Ilíria. O mais curioso é que esta guerra foi travada devido à nova dependência Romana no mar. À medida que os Barcas projectam poder da Ibéria e a rede de aliados Romanos se expande para Este, quão longe dos seus campos chegaram estes agricultores?