Ganhar Triunfo

O que é que a palavra "triunfo Romano" inspira? Sandálias espezinhando os derrotados, linha atrás de linha de conquistadores Italianos de Mar à Estepe? Ou o esplendor da cerimónia do Triunfo, as carruagens douradas, coroas de erva, prisioneiros e escravos cativos, o exótico e onstentativo saque em parada, os soldados e as suas rudes piadas? 

Talvez até a imagem do escravo no carro da frente, susurrando à orelha do general triunfante, pedindo-lhe que se recorde, recorde de que continua a ser um mero mortal. 

Se reduzir-mos o Triunfo romano aos seus componentes atómicos, encontramos uma ideia central bastante simples: Ser um deus por um dia. 

Romanos tinham uma ideia bastante diferente de divindade da maioria das religiões modernas, com uma relação única com os deuses que se perde quando os colocámos no mesmo saco da mitologia Grega e a sua própria relação disfuncional com religião. A visão Romana do divino assenta sobre duas aparentemente paradoxais ideias: Divindade era algo que não era completamente indistinto do mundo mortal, divindade era algo que todos tinham o potencial de atingir, um elo ou fagulha divina, uma parte de ti que pode despertar e atingir estatuto heróico ou igualável a um deus. Ao mesmo tempo, o divino é intocado por manifestações materiais, ou como Plutarca escreve, se parece e age como Homem ou Besta, é Homem ou Besta e não é Deus nenhum. 

Divindade era vista como uma força invisível, algo que ligava eventos e coisas aparentemente distintos. Não pertencia a nenhum deus ou homem, sendo algo criado, cuidado e partilhado por crença, comunidade, mitos e corajosas e heróicas acções dignas de um deus.

Entra a cerimónia do Triunfo. 

Sendo uma força comunitária, apenas a comunidade pode ofererecê-la a um general vitorioso. Enquanto que os símbolos que associamos ao evento apenas foram descritos durante o Crepúsculo da Republica, e os estravagantes eventos de Pompeu provavelmente já eram demasiado inspirados pelas monarquias de Leste e ignoravam tradição Romana, a ideia de investimento divino provalmente continuava presente, tal como era desde que Rómulo tinha celebrado o primeiro mítico Triunfo. 

No mundo dos Heróis da República, Triunfantes receberam Triunfo não devido a ações militares ou caprichos políticos, mas através de pura virtude e determinação. Longe de ser um tema comum, requer o equilíbrio perfeito entre os pontos mais delicados da experiência humana. Teimosos e dedicados às suas convicções, no entanto capazes de sublimar o seu ego e desaparecer debaixo do manto de mito e lenda. Capazes de usar poder, contudo capazes de perceber que apenas são os seus portadores em nome de outros e que no final do dia este não lhes pertence.   

Triunfantes têm quer ser Heróis. Não têm que ser simpáticos, não têm que ser bons, mas nunca podem ser menos que Heróicos.    

Dançar com divindade é uma proposta perigosa, um estilo de vida duro e alucinante que assegura que a maioria dos Triunfantes não chega a velho. Se um abafa o divino com preocupações basícas e mundanas, a chama irá extinguir-se quando precisares mais dela; alimenta-a demasiado e ela vai consumir tudo o que eras e poderias ser, deformando-te numa paródia do Herói que almejavas ser.

Aprecia o divino, Triunfante. Toca o Céu e o Submundo e tráz à terra o seu poder. Só que não ignores a vozinha na tua orelha.

Memento Mori.