Clientes e Clientela

A sociedade Romana é feita de elos. 

Os deveres cívicos entre Povo e Estado. A obediência da família ao Patre Familias. A cooperação entre clientes e patronos. Enquanto os dois primeiros, ignorando a intrincada Lei Romana e a tirania do chefe de família, podem ser facilmente reconhecidos por uma audiência moderna, o conceito de clientela é praticamente desconhecido - pelo menos do lado certo da Lei. 

O filme O Padrinho mostra o relacionamento como nenhum outro. Durante o casamento da sua filha, Don Vito Corleone recebe convidados. Eles pedem por um favor e a bênção do Don, que é magnanimamente oferecida. Contudo, existe a clara mensagem que um dia, talvez nunca, o Don vai pedir o retorno do favor, mas quando essa hora chegar, é um favor que não pode ser recusado. 

Que tipo de relacionamento é esse entre cliente e patrono? Em termos platónicos, é uma relação mutualistica entre dois indivíduos que não fazem parte do mesmo nível social ou família. Romanos apenas acreditam em amizade entre pares, a relação cliente/patrono é a melhor relação que pode existir entre gentes desiguais. Todas as manhãs o patrono abre as suas casas, recebe os seus clientes e faz com que eles inquiram se os seus serviços são necessários durante o dia, partilha uma refeição com estes, oferece pequenas prendas e em situações extraordinárias exercem troca de favores. 

Porque é que um cliente procura patronato de um ou mais patronos? Para começar, para satisfazer necessidades cívicas básicas. Se fores arrastado a tribunal, o teu patrono dá-te um advogado; precisas de sacrificar uma oferenda, o teu patrono pode arranjar o animal em teu nome; sendo vítima de um assalto, o teu patrono junta a clientela para capturar o ladrão; protecção, apoio político, etc. Sem ter uma quinta, negócio, oficina ou sendo parte de uma guilda, um patrono é a forma mais digna de ganhar a vida; ao invés da percepção de "escravatura de aluguer" de um salário, um cliente hábil cujas habilidades são apreciadas seriam recompensados pelos seus patronos e bem-vistos pela sociedade. 

Porque é que um patrono investe no seu relacionamento com clientes e tenta expandir a sua clientela? Acima de tudo, prestígio. Riqueza por si só não é o marco de grandeza, pois é esperado que os afluentes devolva à Cidade. Seja financiando obras públicas, serviço civil, e claro, generoso patronato. O poder político que ocupaste, inimigos derrotados e feitos da tua família podem afectar como és lembrado em morta; a qualidade e quantidade da tua clientela dita como a sociedade Romana te vê em vida e permite construir um legado mais duradouro que os tijolos e pedras empilhados em teu nome. Claro está, hábeis ou numerosos clientes são um recurso útil por si sós: eles oferecem serviços únicos, tendem a ser leais devido ao seu investimento na relação, e acima de tudo, podem votar e influenciar de acordo com os teus interesses. 

Clientela é a Lei. E quem controla a Clientela, legisla a Lei. 

Claro está, como a maioria das instituições Republicanas, a relação entre cliente e patrono sofreu durante o período Tardio. À medida que a desigualdade financeira aumentou, patronado era limitado aos mais ricos e tornou a posição de cliente em algo degradante, uma proposta unilateral. O que era um elo depressa se transformou na sombra com qual os poderosos cobriam as massas sem face; à medida que Roma se expandia, nobreza estrangeira, cidades inteiras e até monarcas tornaram-se clientes de poderosos Romanos

Porque te deves importar com o barbeiro do Aventino quando o Rei de Bitínia é teu cliente?